UM TESOURO CHAMADO JERICOACOARA

16/06/2012 09:08

Não foi à toa que o Washington Post elegeu Jericoacoara como "uma das dez praias mais bonitas do mundo". Título merecidíssimo. O Ceará é realmente afortunado por guardar tamanha preciosidade. Um singelo vilarejo de pescadores, com dunas de areias brancas, a imensidão de um mar azul que dança conforme o humor da maré, piscinas naturais de água transparente, vento constante perfeito para a prática de kitesurf, um por de sol de tirar o fôlego, jegues ao léu, mangues, um forró arretado, muito sol e o melhor de tudo, de difícil acesso. Isso é perfeito. Esse é o grande trunfo de Jeri para conseguir manter sua magia mesmo depois de ter sido alçada ao estrelato.

Jeri, como é chamada carinhosamente pelos íntimos, é sinônimo de charme. Um charme rústico e simples, típico de uma vila de pescadores. Suas ruas são todas de areia. Nada é calçado. Em muitos restaurantes o chão é de areia. Na entrada da joalheria, também. Na porta da padaria do gringo apaixonado por aquele sossego, o acesso é pela ruela de areia. Para comprar um pedaço da famosa torta de banana da Tia Angelita só indo pela areia. Areia por todos os lados. A ordem é andar de sandália Havaiana e roupas de praia. Gente fresca não tem vez. Nada de salto alto nem maquiagem. É preciso ser amante da natureza para se divertir por aquelas bandas.

UMA ROTINA AO SABOR DA MARÉ

 
O dia começa cedo. Junto com os primeiros raios de sol chegam do mar as jangadas coloridas prontas para partilhar e vender sua pesca. Gente simpática e feliz. Bonito de se ver. Quem participa da pesca ou da retirada do barco do mar ganha seu quinhão - proporcional ao esforço do dia. Quem não pôde entrar no jogo, mas quer um peixinho leva 3 por R$10,00. Nesse dia o barco veio lotado de pescada branca e amarela, e com algumas arraias.
Mais tarde é hora de curtir o mar e o sol. São quilômetros de dunas de areias brancas, praias virgens, cheias de piscinas naturais com água morna e sempre com vento forte. A maré sobe e desce constantemente formando cenários bem diferentes ao longo do dia. Um show da natureza. Dá para caminhar à vontade, correr, praticar windsurfe, kitesurfe e stand up paddle. Para quem gosta do mar não pode ser melhor.
Ao redor de Jeri há muita coisa interessante para se conhecer. Os bugueiros estão sempre por perto oferecendo seus serviços. Dá para ir à Pedra Furada, Preá, Lagoa do Paraíso, Lagoa Azul, Tatajuba e outros locais mais distantes.
 
A Pedra Furada é um arco rochoso enorme esculpido pelas ondas do mar, um cartão postal de Jeri. Essa região fica ao sul da vila de Jericoacoara. Inicia na Praia da Malhada e se estende por dois quilômetros. Dá para ir até lá caminhando, mas com a ajuda de um bugueiro dirigindo para você fica bem mais prático, pois tem que subir um morro. Eles costumam cobrar entre R$ 150 e 250 por dia. Em cada buggy cabem 4 pessoas. Melhor mesmo é contratar um só para você! Indico o Neguinho. Super simpático, disponível e conhece a região como a palma da mão. Telefone: (88) 9922.2413 ou 9909.8858.
 
A 5 quilômetros ao sul de Jeri em direção à Preá (indo pela praia são 5 kms, mas se for por dentro dá uns 18 kms) estão a Lagoa Azul e a Lagoa do Paraíso. Tranquilidade é ali mesmo. Redes penduradas dentro d'água, água de côco, peixinho frito e sombra de grandes ombrelones. Dá para curtir um dia legítimo de "sombra e água fresca". Mas, confesso que prefiro lugares com menos gente. Pois, a galera já descobriu e gostou de ficar por ali.
 
Meu passeio preferido foi à Tatajuba. Um percurso de 28 quilômetros que passa por um mangue seco, praias totalmente virgens, piscinas naturais limpíssimas, tem uma travessia de balsa, dunas fixas e dunas que se movimentam, Lagoa da Torta e vilarejo de Tatajuba. Para ver tudo com calma e fazer umas paradas para mergulhar na lagoa e no mar é preciso de umas 5 ou 6 horas. Vale muito a pena. Não dá para cansar! Se quiser ir mais longe ainda dá para ir até Camocim e passar pela Ilha do Amor.
 
De volta à Jeri é hora de dar uma volta pela cidade, tomar um sorvete (de preferência de tapioca) ou comer uma torta de banana da Tia Angelita, ver uma roda de capoeira e rumar para a duna do por do sol. Quando o astro-rei se despede é hora de aplauso. O mar se cobre de luz e o céu fica num tom alaranjado inesquecível.
 
Então a noite cai e uma característica interessante é que não existe iluminação pública na cidade. Toda rede elétrica é subterrânea, o que torna as noites ainda mais românticas. A luz é suave, discreta e a cidade ferve, sempre no escurinho. Restaurantes lotados. Praça lotada. Sorveterias cheias de gente. Um vilarejo alegre, embalado ao som do forró. Depois de um dia intenso é hora de ir para os braços do Morfeu pois os raios de sol fazem o dia começar cedo novamente.
 
UM LUGAR DE DIFÍCIL ACESSO
 
Para chegar lá é preciso percorrer 290 quilômetros de estrada asfaltada de Fortaleza até Jijoca, deixar o carro estacionado em Jijoca e tomar uma jardineira - que custa R$ 10,00 por pessoa - para atravessar mais 23 quilômetros de dunas até Jericoacoara. Alguns motoristas mais aventureiros preferem atravessar as dunas dirigindo. Para isso é preciso esvaziar os pneus e contar com a sorte para não atolar nem se perder pelas dunas. 
 
Também dá para ir até Preá e dali seguir pela beira da praia. Mas, é preciso conhecer a maré para não levar nenhum susto. Alguns moradores da região auxiliam nessa travessia mediante um agrado. No entanto, ao chegar em Jericoacoara, o carro precisa ficar num estacionamento e não pode circular pela cidade. As multas são frequentes. O policiamento é constante. Então, nem vale a pena ir de carro.
 
Também dá para ir de ônibus. Esse é o modo mais econômico. 
 
Outra opção é ir de helicóptero de Fortaleza até Jericoacoara num trajeto de uma hora e dez minutos de puro êxtase. A viagem é espetacular. Difícil é conseguir segurar o queixo com tanta beleza que se vê pelo caminho: dunas, falésias, corais, moinhos de vento, áreas de criação de camarões, piscinas naturais, rios que desembocam no mar, coqueirais enormes. Trechos de paisagens praticamente intocadas. Só esse voo já vale a viagem. Indico totalmente!
 
INDICAÇÃO DE HOTEL
 
Os melhores hotéis são obviamente os que ficam na beira do mar. São três: Vila Kalango, My Blue (que antes se chamava Mosquito Blue) e Casa da Areia. Achei o My Blue muito grande e cheio de cimento. O Casa da Areia tem apenas 4 quartos, é bem pequeno e por fora parece um caixote. O Villa Kalango é super charmoso. Completamente adaptado ao contexto local. O café da manhã fica num mezanino aberto de frente para o mar e para a duna do por do sol. Um belo modo para começar bem o dia. Os bangalôs são lindos, sobre palafitas, com redes e cama com mosquiteiro. Um charme. Indico. Ele fica na rua das Dunas, 30. Telefone: (88) 3669.2289 / 3669.2290 - www.vilakalango.com.br

 

 

 

RESTAURANTES
 
Adorei o Tamarindo. Decoração interessante e pratos deliciosos. Também gostei da Creperia Naturalmente, mas o serviço é bem lento. Tem alguns restaurantes legais que só funcionam nas épocas de alta temporada como o Chocolate e o Na Casa Dela. Para quem quiser um Sushi Bar tem o Kaze. O Pimenta Verde é super simpático. Opções mais simples são o Sapão e Bar do Alexandre. Só abrem à noite: Peixaria Brasileira e Beco Café Brasil.
 
FONTE: VIAJAR PELO MUNDO
 

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